O que importa é a perseverança

Já li vários posts de amigos falando do mesmo assunto, recentemente o Fábio Akita e o Guilherme Chapiewski deixaram em um breve texto suas visões sobre faculdades e informática. Acho que agora chegou a minha vez de compartilhar um pouco minha idéia e visão que tenho das faculdades e seus cursos de informática.

Sempre fui um cara louco de paixão por tecnologia, especificamente por tecnologias que envolvam recursos de áudio e vídeo. Dos 11 anos de idade aos 18, eu fui DeeJay, era um carinha que gostava muito de musicas, jingles, megamix e afins. Sempre procurei saber o que estava por trás de tudo isso, como uma música era feita, como era produzido um megamix, como era criado os samples e como tudo isso iria se encaixar.

Neste período nada fazia mudar este meu interesse, tanto que deixei de estudar aos 16 anos de idade, não gostava, não tinha paciência para ficar sentado escutando um monte de coisas que não serviam para o meu dia a dia, afinal, o que eu iria fazer com aquele monte de números, ciência ou ensino religioso? Há, poderia ter criado um funk dos números…. Quem sabe hoje eu seria um cara rico com as vendas do remix.

Enfim, sempre fui um cara que só consome aquilo que realmente precisa para aprender e dominar aquele assunto de meu interesse. Tenho interesse por política? Tenho interesse por edição de áudio e vídeo, tenho interesse em saber onde nasceu o menino Jesus? Então eu corro atrás e aprendo tudo sozinho. Sempre foi assim, sempre como um auto didata, e me orgulho muito disso.

Dos 18 aos 20 anos eu fiz vários cursos, como eletrônica básica, eletrônica digital, bobinagem, eletricista predial e industrial. Tudo que era ligado a tecnologia sempre estava me movendo e resolvi persistir neste mercado e estudar tudo ligado a ele, porque algo de bom eu poderia ganhar com tudo isso. Há, velhos tempos, eu adorava carregar o capacitor e descarregar na nuca da gurizada, ow tempo bom viu….

Quando eu fiz 20 anos de idade meu pai recebeu um 486 de um cliente, quando ele chegou em casa a primeira coisa que fiz foi ligar este computador para saber o que daria para fazer com este cara. Para a minha decepção eu só vi uma tela preta com um cursor piscando na tela aguardando algo ser digitado. Então resolvi digitar várias sequência de caracateres até eu conseguir chegar ao dir, é é, consegui listar o diretório corrente sem saber o que era. Aquilo me deixou tão fascinado, que ficava digitando dir seguido do que estava na tela até encontrar um arquivo chamado himen.sys que pensei ser uma espécie de um jogo do He-Man.

Eu mexi tanto neste computador que me lembro de ter ido durmir no outro dia as 08:00 da manhã, e acordado às 09:00 e ir direto para a casa de um guri perto de minha casa, onde o pai dele trabalhava e consertava este tipo de computador. Foi aí que conheci o windows 3.11, meu Deus do céu, o que era aquilo…. O que eu poderia fazer com aquilo, fiquei pensando, até o gordo pai do guri me mostrar um outro computador com windows 95 que tinha instalado o Goldwave. Pronto, meu novo mundo estava nascendo, tudo o que eu precisava era deste pequeno editor para que eu pude-se criar, editar e brincar de fazer músicas.

Com o tempo adquiri um Pentium 133 usado, que por coincidência ou não, veio com o delphi 4 instalado e lá ia eu mais uma vez aprender algo novo, sozinho e agora com um modem 3COM de 56kbps, o que já melhorou bastante, pois já estava conhecendo a internet, isso era em meados de 1999. Fiz muitas coisas em delphi, pequenos sistemas para automação onde gerava uma graninha para fazer um curso mais técnico de windows nt e linux, até que conheci o php e o mirc.

Hoje, exatamente 10 anos depois, ainda sem nenhuma faculdade e certificações, com vários cursos técnicos na área, aprendi que para dominar este setor de tecnologia e inovação só é preciso querer, só é preciso ter perseverança, o que manda aqui fora da faculdade é a prática, é a criatividade e a visão. Não adianta nada perder 2 ou 4 anos de sua vida dentro de uma faculdade e achar que um canudo vai resolver sua vida aqui fora. O mercado aqui é prática, se você tem algo palpavél para mostrar então você está empregado.

Dentro destes últimos 10 anos, trabalhei com várias linguagens de programação como php, java, ruby, rails, actionscript 3, adobe flex e flash media server. A cada dia que passa tenho sede por aprendizado, por consumir informações que preciso no dia a dia, seja como empreendedor ou como técnico eu ainda continuo o mesmo cara de sempre, consumindo só aquilo que precisa.

Já negaram palestras minhas em alguns lugares por eu não ter uma faculdade. Em compensação já ministrei vários cursos presenciais e on-line para professores de faculdades e programadores experts que trabalham em prefeituras e orgãos governamentais, profissionais estes que se sentiram extremamente desatualizados perante ao material que as faculdades usam ainda hoje em seus cursos de tecnologia.

Faculdade de tecnologia pode dar uma visão geral, ou seja, de tudo um pouco, vide minha esposa que fez 4 anos de ciência da computação e não entende muito de tudo isso que eu e você programador faz. Ela não usa nada no dia a dia dela, na administração da empresa, na compra, no pagamento, no preparo de um curso e no seu atendimento, o que ela tem é criatividade e perseverança no que faz, e isso não se aprende em uma faculdade. Para vocês terem idéia, os layouts da e-Genial eram todos criados por ela, tableless e padrões ela aprendeu só olhando o código fonte de outros sites.

Quero também deixar claro que não sou contra uma faculdade e seus cursos, só acho que pessoas inteligentes e criativas podem viver sem elas. Vocês que gostam de trabalhar com tecnologia e inovação e são pessoas empreendedoras, o meu e o seu mundo está aqui, e é chamado de prática!

Há, tem dois detalhes que não citei. O primeiro é que eu estudei até a sexta série, então não tome o meu exemplo para você, pelo menos termine o segundo grau. Dois, para trabalhar na e-Genial só basta ser criativo e perseverante.

  1. maio 19th, 2009 at 00:01 | #1

    Estou contigo nessa idéia.

    Particularmente, eu faço curso de ciência da computação; mas é por um simples motivo: gosto do curso. Gosto de aprender sobre linguagens de programação, paradigmas de programação, teoria computacional, estruturas de dados, compiladores, etc. O diploma? Nada importa. O que garante minha competência no mercado é minha própria competência, e não o peso de um canudo que porto.

    Da mesma maneira como faço este curso, poderia estar fazendo curso de corte e costura se gostasse desta disciplina.

    Acho que tem gente com muito costume de se esconder atrás de um certificado, por medo de não ser aceito. E temos que parar com essa mania de achar que quem faz graduação/pós-graduação é um nível acima de quem não o fez. Convenhamos…

  2. maio 19th, 2009 at 00:22 | #2

    Sou seu fã :D

    [ ]s, gc

  3. maio 19th, 2009 at 08:27 | #3

    Belo post Carlos!

    Eu também já andei falando de algo parecido no passado.
    http://www.becklog.org/2007/12/12/o-operario-do-futuro

  4. maio 19th, 2009 at 09:35 | #4

    Creio que faculdade não é primordial, mas com certeza minha graduação em Ciencias de Computação, me fez abrir a mente para coisas que eu desconhecia. Que mesmo se voce for um auto-didata, vai demorar para descobrir.

    Como voce mesmo disse, precisamos ser perseverantes, mas nada como ter um guia, chamado professor, para acelerar o processo. :)

    Abraços.

  5. maio 19th, 2009 at 09:51 | #5

    Ótimo exemplo Carlos!

    Também penso como você.

    Abraço,

    Silva Developer
    silva.developer@gmail.com

  6. maio 19th, 2009 at 10:06 | #6

    Parabéns pelo post Carlos!

    Mto bacana a sua história. Dá para perceber que você realmente é um cara perseverante.

    Abraços,
    Alberto

  7. maio 19th, 2009 at 10:18 | #7

    Parabéns pela sua história,
    o meu embarque nesse mundo já foi mais dependente da universidade, já que conheci programação nas aulas do curso de ciência da computação, onde entrei sem qualquer noção do que me esperava. Felizmente deu certo =)

    Agora, ser auto didata é a base para se trabalhar na área, com certeza. Mas até nisso a universidade me ajudou, por que os professores eram bons, mas ensinar bem era um dom de poucos.

    Sou seu fã e da e-Genial também.

    Abraço

  8. maio 19th, 2009 at 12:54 | #8

    Ótimo post Carlos, eu tenho faculdade de SI(4 anos) e também curso técnico em TI(3 anos) e o que eu posso dizer que não adianta ter gente te dizendo o que fazer se vc não corre atrás.

    Já vi isso nos cursos que ministro aqui na e-Genial e já vi na faculdade, você pode ter um bom instrutor mas se o aluno não corre atrás sozinho então já era.

    Resumindo, quem quer aprender consegue, seja com curso com faculdade ou sozinho (ou melhor, todos juntos para cortar caminho). No final das contas tem muita coisa bacana na faculdade como Assembly, Compiladores, Pesquisa Operacional mas tudo isto também está em livros mas dificilmente você vai aprender este tipo de coisa sozinho pois no dia a dia você quase não irá utiliza-las, então vai correr atrás de Ruby,Javascript e etc mas isso tudo vai te ajudar a saber a base das coisas, o que é muito bom.

    A minha dica é faça uma faculdade para ter uma visão geral e básica mas fique com pé atrás e não acredite em tudo que é dito (muita asneira) e procure se aprofundar no que mais gosta sozinho pois apenas sozinho você aprende.

    Outra coisa que é fato, quando sai da faculdade (a menos que você já tenha experiência anterior) vc sai praticamente como um leigo mas que já ouviu falar de ALGUMAS coisas, então entenda isso da melhor forma possível e se dedique muito mais aos estudos depois que concluir a graduação.

  9. Ricardo Ramires
    maio 19th, 2009 at 13:12 | #9

    Me identifiquei com seu post, principalmente nessa parte:

    “Já negaram palestras minhas em alguns lugares por eu não ter uma faculdade. Em compensação já ministrei vários cursos presenciais e on-line para professores de faculdades e programadores experts que trabalham em prefeituras e órgãos governamentais, profissionais estes que se sentiram extremamente desatualizados perante ao material que as faculdades usam ainda hoje em seus cursos de tecnologia.” [2]

    Depois de muitos anos trabalhando como programador web e instrutor dessas tecnologias, comecei a fazer análise de sistemas (fazem 2 anos + -) para ver o que uma formação poderia me acrescentar(e também para poder dizer que sou “tal coisa” quando me perguntarem…), resultado:

    Já tranquei algumas vezes o curso por pegar professores que considerei ruins… que não preparam as aulas e parecem que não tem o dom de ensinar, estão lá apenas por não conhecerem outra forma de ganhar dinheiro… talvez isso se de pela baixa remuneração ou por verem a falta de interesse da maioria dos alunos que ainda são adolescentes (quem manda o véio não ter feito o curso na época certa, hahaha).
    Tive até agora apenas uma matéria a qual me acrescentou muito, que foi estruturas de dados onde a professora foi excelente e não nivelou a turma por baixo, então dava gosto acordar cedo pra ir pra faculdade.

    Em setembro agora pretendo voltar, mas agora para terminar e pegar o canudo sem a pretensão de querer aprender o mesmo tanto que se aprende lendo um livro quando a algo real no momento para aplicar os novos conhecimentos ou um curso intensivo com alguém experiente.

    Vou tentar usar esse tempo que resta pra terminar pra relaxar um pouco e fazer mais amizades, conhecer mais meninas, hehehehe

    [ ]´s e sucesso Carlos,

    Ricardo

  10. Helder Aguiar
    maio 19th, 2009 at 19:08 | #10

    Muito bom o artigo, vc é um grande cara! Eu acho legal sua postura perante os seus alunos e leitores do seu blog. Inteligente com tecnologia , administração e muito antenado com o mundo. Parabéns!!

  11. maio 20th, 2009 at 18:50 | #11

    “ficava digitando dir seguido do que estava na tela até encontrar um arquivo chamado himen.sys que pensei ser uma espécie de um jogo do He-Man”

    Você era realmente louco por tecnologia. Aos vinte anos, se eu visse um arquivo chamado “himen”, teria pensado outra coisa. ;-)

    Um abraço.

  12. Fernando
    maio 25th, 2009 at 02:03 | #12

    Cara, parabéns pelo texto. Ótimo.

  13. Daniel Schmitz
    maio 27th, 2009 at 01:37 | #13

    Alguem lembra ae do “estendendo a memória hymen.sys”… ahahahah

  14. Fábio
    maio 27th, 2009 at 09:44 | #14

    Grande Carlos!!!
    Lembro como se fosse hoje do treinamento que você me deu sobre o e-gen… Bem, na minha opinião a faculdade não é fundamental, mas no mínimo te dá mais opções. Eu vi, por exemplo, um processo de análise de sistemas para sistemas de tempo real, como controladores de aviões. Esse tipo de conhecimento a gente não vê mesmo no dia a dia das empresas de TI e muitos podem considerar inútil. Mas quando a IBM ou um centro de pesquisa precisar de alguém com esse perfil você será uma opção. Esse foi apenas um exemplo, mas existem muitos outros. Claro, você pode aprender tudo por fora, mas no ambiente da faculdade você tem experts(teoricamente) em diversos assuntos “não triviais” que podem despertar o interesse inclusive de abrir uma empresa fornecedora de tecnologia, ao invés de comprar licença do windows+visual studio+sql server+isso+aquilo pra poder trabalhar…

  15. maio 27th, 2009 at 12:35 | #15

    Muito bom o post, Carlos!
    Parabéns!

  16. Daniel
    maio 29th, 2009 at 23:59 | #16

    Post nota 1000! Parabéns!

  17. Odair Martins
    junho 17th, 2009 at 10:47 | #17

    Parabéns Carlos!

    Atualmente trabalho com logística e faço um curso superior em sistemas de informação, pois sou apaixonado por isto e sempre fui meio auto didata também. Por isso exemplos como o seu me inspiram a buscar meu espaço e trilhar meu caminho!!

    Valeu.

  18. Alessandro
    julho 18th, 2009 at 23:39 | #18

    A formação formal é importante, se assim não fosse, porque existiria escola ou universidades?

    O que não pode é tentar mostrar conhecimento apenas com um certificado, é necessário atrelar a prática a teoria. Só a prática não resolve.

    O segredo é aprender a aprender.

  19. josue
    julho 20th, 2009 at 10:52 | #19

    parabens pelo post.
    show de bola.

  20. julho 20th, 2009 at 17:49 | #20

    Não concordo com a frase “Não adianta nada perder 2 ou 4 anos de sua vida dentro de uma faculdade e achar que um canudo vai resolver sua vida aqui fora.” Pois tudo que você aprende, independente do local, não é perder tempo.

  21. Rafael Paim
    agosto 31st, 2009 at 11:20 | #21

    Sou graduado em Sistemas de Informação e também estou contigo nesta idéia. Trabalho com desenvolvimento há 3 anos (profissionalmente) e estou formado há 1 ano. Se não fosse a prática no emprego que possuo com certeza estaria penando para arrumar um emprego pós-faculdade.

    Nem peguei meu diploma ainda, nem precisei.

    Porém, a faculdade nada mais é do que um Diploma para a vida. Lá você arruma amigos, contatos, vê experiências de professores e colegas, aprende a trabalhar em equipe (se quiser) e tem uma base de tudo um pouco.

    Importante é. Essencial não.

  22. Rodrigo Maia
    setembro 13th, 2009 at 21:03 | #22

    Eu concordo com você 100%. Já fiz duas vezes trabalhos para pessoas que estavam fazendo pós graduação em web e pergunta se tenho faculdade? Não. Mas agora penso em fazer para dar um upgrade no salário simplesmente e conseguir mais contatos na área.

    Abraço.

  1. maio 19th, 2009 at 00:30 | #1
  2. maio 25th, 2009 at 10:43 | #2
  3. maio 27th, 2009 at 08:20 | #3
  4. junho 7th, 2009 at 16:22 | #4